01 de março de 2018, Paris

Primeira lista de reencontros e rejeições:

Tive um grande reencontro com um garoto que foi colega na escola, ainda no ensino médio. Eu usava o cabelo comprido como nunca mais tive. Tiramos fotos. Mas eu ainda não consegui gostar do seu tom de voz, apesar de precisar ouvir um português brasileiro. O frio entrou no fundo da carne depois daquele passeio de trem nas periferias. As periferias mais lindas do mundo. Tipo o paiaguás, eu disse enquanto voltávamos dentro do trem e encontramos nossos pés. Meu cabelo descolorido. O cabelo dele bagunçado. Longe e perto. Um encontro que se repete há anos. Pude ver cada detalhe que gostava e não gostava. Amei e odiei. Encontrei e rejeitei.

A loja dos brasileiros que vende tapioca e pequi em conserva. Mas vende boticário, natura e cerveja brasileira a preços exorbitantes.

A família síria no metrô, eu olho e tento entender. No jornal, entendo que aquilo é um recomeço, uma guinada no destino, longe dos bombardeios.

As costas cheias de marcas do rapaz que dizia que podia ver muito amor nos meus olhos mas que disse que eu não duraria muito tempo aqui, sem saber se eu queria.

O garoto negro de cabelo laranjado que parecia encantado mas disse que eu parecia ser de Israel. Não entendi e rejeitei.

A chilena que carinhosamente de chamou de "flaca" e eu entendi "fraca".


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